Linha de ônibus de Embu das Artes proíbe grandes bagagens e causa confusão no Tietê

quinta-feira, 19 de maio de 2011


Os passageiros que utilizam a linha S-412, que liga a cidade de Embu das Artes, na Grande São Paulo, ao Terminal Rodoviário Tietê, na Zona Norte da capital, devem ficar atentos com a quantidade de malas e sacolas que levam. Isso porque a Viação Pirajuçara proibiu o embarque de passageiros com bagagens de grande porte e lacrou os bagageiros situados na parte inferior dos veículos.  Os motoristas foram orientados a deixar embarcar apenas quem tiver levando pouco volume, que caiba nos compartimentos dentro dos coletivos.

A linha intermunicipal, que tem tarifa de R$ 5,70, passa por vias importantes, como as ruas Teodoro Sampaio e da Consolação e a Avenida Eliseu de Almeida, antes de chegar a Embu. Ela se tornou uma alternativa para passageiros que moram longe do Tietê e que não podem recorrer a um táxi, que cobra cerca de R$ 150 para fazer o percurso até a cidade durante o dia e fora dos horários de pico. À noite, entre 20h e 6h, o valor cobrado sobe para, aproximadamente, R$ 170. Outra possibilidade é recorrer aos perueiros.

Quem não teve tempo de se adaptar à medida, porém, foi pego de surpresa. A doutoranda em economia Cristina Reis, de 30 anos, que já usou a linha várias vezes, foi surpreendida pela medida quando tentava pegar o ônibus, na sexta-feira (13), com uma mala grande. “Estava com uma mala de uns 30 kg. Para conseguir voltar para casa, eu invadi o ônibus com mala e tudo. Mas cortou o coração ver um casal com crianças e pessoas de idade sem poder embarcar, porque eles precisavam pegar dois ônibus e um trem”, diz.

Na terça-feira (17), a equipe de reportagem  acompanhou o embarque e desembarque de passageiros no ponto que fica no sentido bairro da Avenida Cruzeiro do Sul, na Zona Norte. O vendedor Eliandro Pereira da Silva, de 38 anos, que chegava da Paraíba, também foi pego de surpresa pela determinação da empresa. Ele trazia várias embalagens com redes e mantas para vender em São Paulo e teve dificuldades para chegar a Taboão da Serra.

“Eu entendo que não queiram levar a minha bagagem, mas uma mala eles teriam que levar. Como alguém vai viajar sem levar mala?” Ele acabou pegando um ônibus de outra viação para Itapecerica da Serra. “Demorou demais. O bagageiro era bem pequeno, mas eu ainda consegui levar a minha bagagem.”

A doméstica Leni Rosa dos Santos, de 43 anos, e o filho dela, Gerson Ferreira dos Santos, de 26, tiveram muita dificuldade para pegar no Campo Limpo, na Zona Sul, o ônibus para o terminal Tietê, onde planejavam embarcar para a Bahia. “O primeiro motorista não nos deixou embarcar. Quando o outro coletivo passou, eu falei para o motorista: ‘Eu vou entrar porque eu vou embarcar às 10h e não posso perder o ônibus’. Essa proibição é um absurdo”, afirma. Eles colocaram as bagagens no corredor do coletivo, o que também é proibido pela viação.

Os passageiros têm reclamado muito da nova determinação e as discussões com os funcionários da empresa. “Domingo eu quase apanhei. A ordem que recebemos é desligar o motor do ônibus e aguardar o passageiro descer”, diz um motorista que pediu para não identificado.

Atrasos
O coordenador de operações da Viação Pirajuçara, Rogério Dardengo, afirma que a linha intermunicipal é considerada uma linha seletiva e que não conta com serviço de transporte de bagagens. A empresa estima que cerca de 90% dos passageiros utilizem a linha para ir ao trabalho. “O fluxo de passageiros com grandes volumes aumentou muito, o que estava atrasando muito a linha”, diz Dardengo. Segundo o coordenador, alguns passageiros queriam transportar mercadorias ou volumes muito grandes, o que motivou a decisão.

A Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), que gerencia e fiscaliza o sistema de transporte intermunicipal em São Paulo, Campinas e Baixada Santista, informa que o transporte de bagagens em linhas seletivas é regulamentado pelo decreto 24.675/86. “O artigo 55 inciso 4 letra G, estabelece que: ‘permitir o transporte de volume que cause transtorno à movimentação dos passageiros e desconforto a qualquer deles’ é irregularidade passível de autuação”, afirma a EMTU, em nota.

Opcional
A instalação de bagageiros ou locais adequados para o transporte de volumes é opcional, esclarece a empresa que fiscaliza o sistema. “A legislação não regulamenta ou obriga essa instalação. Cabe à operadora, a partir da demanda de seus usuários, ofertar ou não o serviço.”

Fonte: G1



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